Elaiussa Sebaste — a cidade esquecida da Cilícia à beira-mar
Elaiussa Sebaste — uma das cidades antigas mais pitorescas e menos turísticas da Turquia, escondida à beira do mar Mediterrâneo, na província de Mersin, no distrito de Erdemli, junto à atual aldeia de Ayaş. Outrora, esta cidade portuária foi a resplandecente residência do rei da Capadócia, Arquelau, rivalizou com sucesso com Társo e Coricos, exportou azeite por todo o Mediterrâneo e, posteriormente, entrou silenciosamente em declínio durante a era bizantina. Hoje, Elaiussa Sebaste é um conjunto de colunatas de mármore, basílicas e teatros, espalhados entre olivais e as ondas da rebentação. O local ideal para quem deseja sentir a antiga Cilícia longe das multidões.
História e origem
A cidade foi fundada no século II a.C. como um pequeno povoado numa pequena ilha, ligada ao continente por um estreito istmo. Este local naturalmente protegido transformou imediatamente Elaiussa num conveniente centro portuário: aqui atracavam navios vindos de Chipre, da Fenícia e da costa do Mar Egeu. O nome grego Elaiussa deriva da palavra elaion — «azeite»; reflete a principal riqueza da região — os olivais que se estendem por muitos quilómetros no interior do Tauro.
A transformação decisiva da cidade ocorreu na época do imperador Augusto, quando o rei da Capadócia, Arquelau (Archelaus), fez de Elaiussa a sua segunda capital. Ele ampliou o povoado, transferindo o seu centro para o continente, e renomeou-o Sebaste — o equivalente grego do latim «Augusta», em homenagem ao imperador. Assim, no início do século I d.C., surgiu a cidade com o duplo nome de Elaiussa Sebaste. Arquelau construiu aqui um palácio e edifícios públicos, ampliou o porto, e a cidade viveu o seu primeiro apogeu.
Sob o domínio de Roma
Após a morte de Arquelau, em 17 d.C., a Capadócia foi incorporada ao Império Romano, e Elaiussa Sebaste tornou-se uma cidade importante da província da Cilícia. Em 74 d.C., o imperador Vespasiano libertou definitivamente a costa da Cilícia dos piratas, o que abriu caminho para um novo renascimento económico de Sebaste. Nos séculos I–II d.C., houve uma intensa atividade de construção: surgiram um teatro, termas, uma ágora, um aqueduto e uma monumental alameda de túmulos. A cidade exportava azeite, madeira de cedro e vinho para muito além dos limites do Mediterrâneo.
Bizâncio e o ocaso
A partir do século III d.C., a cidade começou a perder terreno. Em 260 d.C., o rei persa Shapur I empreendeu uma campanha devastadora na Cilícia, e Sebaste foi gravemente afetada. Mais tarde, os habitantes foram perturbados por incursões dos isauros — tribos montanhesas da Anatólia interior. Nos séculos V–VI, a cidade ainda mantinha a sua importância como centro religioso: aqui foram erguidas várias basílicas e a residência do bispo. No entanto, no século VI, a vizinha Coricos (Korykos) assumiu o papel de principal porto da costa, e Elayussa-Sebaste foi-se esvaziando gradualmente. Quando as campanhas árabes do século VII chegaram, a cidade já era apenas um conjunto de ruínas semiabandonadas.
Arquitetura e o que ver
O Parque Arqueológico de Elaiussa Sebaste ocupa várias dezenas de hectares ao longo da estrada D-400. Hoje, uma parte significativa do sítio foi escavada e transformada num museu ao ar livre, pelo qual se pode passear durante horas. A principal característica de Sebaste é o seu traçado «em camadas» vivo: aqui encontram-se edifícios helenísticos, termas romanas, basílicas bizantinas e necrópoles tardias, tudo isto espalhado pelas colinas com vista para o mar turquesa.
Teatro
O coração da cidade antiga é um pequeno teatro romano do século II d.C. Tem capacidade para cerca de 2300 espectadores; conservam-se 23 filas de assentos, a orquestra e parte da cena. O teatro está parcialmente encaixado na encosta da colina, o que é característico da tradição helenística. Das filas superiores abre-se uma vista panorâmica sobre o mar e sobre o que resta da antiga ilha — daqui é difícil imaginar que, na Antiguidade, este local fervilhava de vida. O teatro é utilizado periodicamente para concertos de verão e espetáculos festivos da autarquia local.
Ágora e fontes dos leões
A Ágora de Sebaste é um dos fóruns mais bem preservados da Cilícia. A praça retangular estava rodeada por colunatas de mármore cinzento, tendo-se conservado in situ fragmentos de capitéis e lajes. No lado sul da ágora encontra-se uma fonte monumental com cabeças de leão, das quais jorrava água — um recurso arquitetónico clássico da época romana. Aqui também se erguiam estátuas honoríficas de cidadãos ilustres, cujas bases ainda hoje se encontram ao longo da colunata.
Termas e mosaicos
Vários complexos de banhos públicos conservaram pavimentos em mosaico com padrões geométricos e vegetais. Particularmente interessante é o grande complexo termal com frigidário, tepidário e caldário — a sequência clássica romana em que se realizava o ritual de ablução. Parte dos mosaicos foi restaurada e hoje está protegida do sol por coberturas leves. Nas paredes, conservam-se vestígios de pinturas e reboco.
Basílicas e bairro bizantino
No território do parque foram escavadas várias basílicas paleocristãs — edifícios dos séculos V–VI com absides, nártex e baptistérios. Uma delas assentava sobre uma fundação circular — uma forma rara na região, herdada dos templos circulares helenísticos. À basílica adjacentes encontrava-se um pátio com uma cisterna, onde, na época bizantina, se realizava a ablução ritual. Estas igrejas são testemunho de que Sebasta permaneceu uma comunidade cristã ativa até ao fim.
A Avenida das Tumbas e a necrópole
A parte norte da cidade dá para a famosa «Aléia das Tumbas» — quase 100 tumbas monumentais, dispostas ao longo de uma estrada antiga. Muitas delas têm a forma de casas ou templos, decoradas com cornijas esculpidas e inscrições em grego e latim. Esta é uma das maiores coleções de sepulturas monumentais da costa mediterrânica da Turquia, e o simples passeio pela alameda causa uma forte impressão.
Templo de doze colunas e aqueduto
No topo da colina, sobre o mar, erguia-se um templo de doze colunas, provavelmente dedicado ao imperador Augusto. Hoje, restam apenas as fundações e alguns fragmentos de colunas, mas o local continua a fascinar: daqui abre-se a clássica vista «ciliciana» com o horizonte marítimo. Do lado interior da costa, chegava à cidade um aqueduto que abastecia Sebaste com água do rio Lamos — fragmentos das arcadas do aqueduto podem ser vistos a alguns quilómetros do parque.
Factos interessantes e lendas
- O nome Elaiussa deriva do grego «elaion» — «azeite»; era este o principal produto da cidade, exportado até para Alexandria e Roma.
- O rei da Capadócia, Arquelau, que reconstruiu a cidade durante o reinado de Augusto, possuía a sua própria frota, e Elaiussa Sebaste era a sua «segunda casa», longe do interior da Capadócia.
- No teatro da cidade, conservam-se até hoje inscrições gregas com os nomes de notáveis mecenas que financiaram a construção.
- A «Aléia dos Túmulos» de Sebaste é uma das mais longas «ruas dos mortos» da Turquia, com muitos túmulos decorados com simbolismo complexo e retratos dos falecidos.
- Numa das basílicas bizantinas primitivas foi descoberto um mosaico raro com a imagem de um pavão — símbolo cristão da imortalidade —, o que atesta o elevado estatuto da comunidade.
- A cidade sofreu um terramoto no século IV d.C., após o qual muitos edifícios tiveram de ser reconstruídos; os vestígios das restaurações são visíveis em muitas das paredes preservadas.
Como chegar
O Parque Arqueológico de Elaiussa Sebaste está situado junto à aldeia de Ayas, no distrito de Erdemli, na província de Mersin, a cerca de 55 quilómetros a oeste do centro de Mersin e a 24 quilómetros a leste da cidade turística de Kızkalesi. A forma mais conveniente de chegar é de carro pela estrada D-400, que percorre toda a costa: o parque está situado mesmo junto à estrada, podendo-se aceder ao mesmo a partir do parque de estacionamento sinalizado com placas «Elaiussa Sebaste».
De Mersin e Silifke (Silifke) partem dolmuşes regulares: a paragem «Ayaş» fica a 200 metros do portão do parque arqueológico. Do aeroporto Adana Şakirpaşa até Sebaste são cerca de 130 quilómetros (1,5–2 horas de carro). Muitos turistas ficam alojados em Kız Kalesi e vêm até aqui numa excursão de meio dia, combinando a visita com a exploração do Castelo de Kız Kalesi e da cidade subterrânea de Kanıtalı. O estacionamento em Sebaste é gratuito e espaçoso.
Dicas para o viajante
A melhor altura para visitar Elaiussa Sebaste é a primavera (março–maio) e o outono (setembro–novembro). No verão, o sol bate forte nas áreas abertas, quase não há sombra e a temperatura ultrapassa frequentemente os 35 °C. No inverno, na Cilícia, o clima é quente e ensolarado, e nestes meses o parque é particularmente agradável: caminhos vazios, iluminação suave, poucos outros turistas. A visita a todo o recinto demora 2 a 3 horas a um ritmo tranquilo. O bilhete para o parque custa cerca de 80 a 100 liras turcas, sendo válido o Müzekart.
Leve água, um chapéu, calçado confortável e protetor solar. Não há cafés nem quiosques no recinto; os locais de restauração mais próximos encontram-se na aldeia de Ayas e em Kizkalesi. Sebaste é especialmente bela de manhã e uma hora antes do pôr-do-sol, quando os raios oblíquos realçam o relevo das colunatas de mármore e dos túmulos. É proibido o uso de drones sem autorização.
Elaiussa Sebaste combina na perfeição com outros monumentos da costa da Cilícia. Num único dia, é possível visitar Kanytellis com as suas basílicas e necrópoles, o castelo de Kızkalesi «na terra e no mar», as cavernas «Inferno e Paraíso» (Cennet ve Cehennem) e Uzuncaburç — o santuário antigo de Zeus mais bem preservado da Cilícia. Se tiver dois dias, fique em Kızkalesi e faça duas excursões radiais: uma ao longo da costa, outra para o interior das montanhas. Os amantes de férias na praia devem saber que mesmo à entrada do parque há uma pequena praia de seixos — depois de um passeio pelas ruínas antigas, é agradável dar um mergulho no Mar Mediterrâneo. Sebaste (Elaiussa Sebaste) — um dos raros monumentos da Turquia onde a história pode ser quase tocada com as mãos, e o mar bate literalmente junto às paredes das antigas termas.